pgfn incubadora de teses

 A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional está jogando xadrez enquanto muita gente ainda está jogando damas. 

Na última terça-feira (10/3), a procuradora-geral Anelize Ruas de Almeida revelou que a PGFN criou uma “incubadora de teses” para mapear litígios que vão surgir com a Reforma Tributária. 

Tradução: 

Eles estão identificando AGORA quais discussões judiciais vão aparecer nos próximos anos — e preparando defesa antes mesmo dos processos começarem. 

Se você está pensando em questionar algo da reforma no Judiciário, saiba: a Fazenda já se preparou. 

Vou te explicar o que isso significa na prática. 

 

O que é essa “incubadora de teses” 

Segundo Anelize Ruas de Almeida: 

“A gente já tem percebido, seja em congressos, seja em revistas, seja em conversas com a advocacia privada, algumas teses tributárias que podem ser levadas ao Judiciário e podem gerar um contencioso. Nós temos feito, então, essa incubadora para identificar essas teses e para preparar eventuais defesas.” 

Na prática: 

A PGFN está: 

✅ Monitorando eventos e publicações do setor tributário
✅ Conversando com advogados tributaristas
✅ Identificando teses que contribuintes podem usar
✅ Preparando defesa prévia
✅ Avaliando possibilidade de ajuizar ADCs no STF
✅ Estudando alterações legislativas preventivas 

Cinco temas já foram analisados. 

 

Tema 1: Vinculação entre pagamento e crédito 

Um dos temas já estudados pela PGFN é a vinculação entre creditamento e pagamento de CBS/IBS na etapa anterior. 

A regra: 

Se o seu fornecedor não pagou CBS/IBS, você não pode tomar o crédito. 

A tese que pode surgir: 

Contribuintes podem questionar essa vinculação, argumentando que a não cumulatividade deveria ser plena, independentemente do pagamento na etapa anterior. 

A posição da PGFN: 

Segundo Moisés de Souza Pereira, procurador-geral adjunto tributário: 

“A lei complementar [214/25] é claramente constitucional, porque a emenda [Constitucional 132/23] dá essa opção.” 

Tradução: 

PGFN já tem defesa pronta. Se você entrar com essa tese, eles vão argumentar que a Constituição autoriza essa vinculação. 

 

Tema 2: Competência judicial (CBS x IBS) 

Outro ponto que preocupa a PGFN: onde julgar litígios de CBS e IBS. 

Pela estrutura atual: 

→ CBS (federal) = Justiça Federal
→ IBS (estadual/municipal) = Justiça Estadual 

O problema: 

Como aponta Anelize Ruas de Almeida: 

“Sem nenhum tipo de alteração, seria criado um cenário de insegurança jurídica. O panorama poderia estrangular o STJ com vários conflitos de interpretação e botar a perder os pilares de simplicidade e transparência sobre os quais a reforma foi estabelecida.” 

Solução proposta: 

“O que me parece absolutamente necessário? Uma PEC para mudar as competências do STJ e da Justiça Federal.” 

Ou seja: 

PGFN está pressionando por mudança legislativa para centralizar julgamentos (provavelmente tudo na Justiça Federal). 

Impacto pra você: 

Se isso acontecer, discussões de IBS também vão pra Justiça Federal — o que pode facilitar uniformização, mas também centralizar poder na União. 

 

Por que isso importa pra você 

Essa “incubadora de teses” muda completamente a dinâmica do contencioso tributário. 

Antes: 

→ Reforma sai
→ Contribuinte identifica problema
→ Contribuinte processa
→ Fazenda se defende 

Agora: 

→ Reforma sai
→ Fazenda antecipa teses
→ Fazenda prepara defesa prévia
→ Contribuinte processa (mas Fazenda já tem contra-argumento pronto)
→ Ou pior: Fazenda ajuíza ADC no STF preventivamente 

Tradução: 

Se você vai questionar algo da reforma, precisa estar MUITO bem preparado. 

Porque a Fazenda não vai ser pega de surpresa. 

 

Os números da PGFN em 2025 

A PGFN também divulgou resultados de 2025: 

📊 R$ 66,1 bilhões recuperados em dívida ativa
📊 R$ 462,2 bilhões em perdas evitadas (vitórias no Carf e tribunais)
📊 R$ 30,8 bilhões recuperados via transação tributária 

Destaque: 

Vitórias importantes no STF que evitaram perdas bilionárias: 

→ R$ 153,3 bi – ADI 4927 (teto de dedução de educação no IRPF)
→ R$ 74,9 bi – Tema 985 (contribuição previdenciária sobre terço de férias)
→ R$ 60,8 bi – Tema 914 (Cide Remessas) 

O que isso mostra: 

PGFN está muito bem estruturada. Ganha a maioria dos casos. E agora está se antecipando ainda mais. 

 

Prioridades da PGFN para 2026 

Segundo Raquel Godoy, procuradora-geral adjunta de estratégia e representação judicial, dois temas são prioridade: 

  1. ADC 98:Inclusão de tributos na base de PIS/Cofins
    2. RE 870.214: Lucro de controladas no exterior (impacto de R$ 22 bilhões) 

Por que isso importa: 

Se você tem discussão sobre esses temas, acompanhe de perto. PGFN vai investir pesado na defesa. 

 

O que você precisa fazer 

Se você está pensando em questionar algo da Reforma Tributária no Judiciário: 

  1. Prepare-se MUITO bem

PGFN não vai ser pega de surpresa. Eles já estudaram as teses. 

  1. Acompanhe movimentações da PGFN

Eles podem ajuizar ADC preventiva pra blindar determinada regra. 

  1. Avalie custo-benefício

Com PGFN preparada, chance de vitória pode ser menor. Vale a pena o risco? 

  1. Considere transação

PGFN arrecadou R$ 30,8 bi em transações em 2025. Pode ser caminho mais rápido que processo. 

 

Minha leitura 

A criação dessa “incubadora de teses” é estrategicamente brilhante (pra Fazenda). 

Eles estão fazendo o que qualquer empresa inteligente faria: antecipar riscos e preparar defesa prévia. 

Mas isso muda o jogo pra contribuinte. 

Porque agora, questionar a reforma no Judiciário não é mais sobre “achar uma brecha na lei”. 

É sobre enfrentar uma Fazenda que já estudou essa brecha, preparou contra-argumentos, e pode até ter ajuizado ADC preventiva. 

Isso não significa que você não deve questionar. 

Significa que você precisa questionar muito melhor. 

Com tese sólida. Fundamentação robusta. E consciência de que a briga vai ser dura. 

 

Você está planejando questionar algo da Reforma Tributária? 

Entre em contato. Podemos avaliar a viabilidade da tese considerando que a PGFN já está preparada — e definir a melhor estratégia. 

Porque questionar sem preparo adequado, nesse novo cenário, é queimar dinheiro. 

📰 Fonte: Portal JOTA 

 

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