
Muitas! Mais do que “escondidas”, há oportunidades estratégicas e estruturais significativas para empresas que forem proativas, souberem transitar pela complexidade da transição e otimizar seus processos sob o novo regime.
A não-cumulatividade do IBS e CBS irá eliminar o imposto em cascata que hoje encarece a produção. Empresas poderão reavaliar seus fornecedores, processos de aquisição e logística buscando otimizar a geração e o aproveitamento de créditos do IVA. Isso pode levar a uma redução significativa dos custos indiretos e à melhoria das margens de lucro. A escolha de fornecedores poderá ser guiada mais pela eficiência e qualidade do que por regimes tributários específicos.
Empresas que conseguirem gerenciar melhor seus créditos e débitos, otimizando sua eficiência tributária, poderão oferecer preços mais competitivos no mercado ou aumentar suas margens, ganhando uma vantagem estratégica sobre concorrentes menos preparados.
Por sua vez, a unificação dos tributos federais, estaduais e municipais em dois impostos IBS/CBS reduzirá drasticamente a complexidade burocrática e o número de obrigações acessórias, o que hoje representa um custo significativo estimado em milhares de horas anuais para as empresas. Menos tempo e recursos gastos com o cumprimento de obrigações fiscais complexas irão permitir que as empresas foquem mais em sua atividade principal, inovação, desenvolvimento de produtos e serviços e expansão de mercado.
A simplificação e a maior previsibilidade tributária podem tornar o ambiente de negócios mais atraente para investimentos nacionais e estrangeiros, estimulando o crescimento econômico e a geração de empregos.
A reforma tributária, com certeza, exigirá a digitalização e automação da gestão fiscal. Empresas que investirem em tecnologias como inteligência artificial, e sistemas de gestão de dados fiscais terão uma vantagem competitiva na gestão dos novos impostos, garantindo maior precisão e eficiência. Isso pode, inclusive, gerar um novo nicho de mercado para empresas de tecnologia fiscal.
Da mesma forma, a simplificação e a maior previsibilidade tributária podem tornar o ambiente de M&A mais dinâmico. A menor incerteza sobre passivos fiscais e a maior clareza sobre a carga tributária futura podem facilitar a avaliação de empresas e a concretização de excelentes negócios.
A reforma tributária visa acabar com a guerra fiscal entre estados e municípios, o que significa que as decisões sobre a localização de plantas industriais, centros de distribuição e escritórios não serão mais predominantemente baseadas em incentivos fiscais. As empresas poderão tomar decisões mais racionais, focadas em fatores econômicos genuínos como logística, infraestrutura, acesso a mercados consumidores, mão de obra qualificada e custos operacionais reais, otimizando suas operações e cadeias de valor.
Uma indústria de grande porte que hoje lida com a complexidade do ICMS de cada estado e a cumulatividade de PIS/COFINS, terá uma gestão fiscal drasticamente simplificada. Os recursos atualmente dedicados ao complexo compliance desses tributos poderão ser realocados para áreas estratégicas como pesquisa e desenvolvimento, inovação de produtos, expansão de mercado ou melhoria da experiência do cliente. Isso não apenas reduzirá custos, mas também impulsionará a capacidade de inovação e competitividade da empresa no longo prazo.
